Estalão Morfológico

PERDIGUEIRO PORTUGUÊS (Standard FCI Nº187)

 ORIGEM: Portugal

DATA DE PUBLICAÇÃO DO ESTALÃO DE ORIGEM EM VIGOR: 04-11-2008.

UTILIZAÇÃO: Cão de Caça.

CLASSIFICAÇÃO FCI: 7º Grupo Cães de Parar

Secção 1.1 – cães de parar continentais, tipo braco. Com prova de trabalho

 

BREVE RESUMO HISTÓRICO: O Perdigueiro Português tem origem na Península Ibérica; descende do antigo Braco Peninsular que é um ancestral comum a outros cães de parar. Evoluiu adaptando-se ao clima, terreno e tipo de caça bem como à selecção imposta por critérios sócio-culturais para a caça ao longo dos séculos. A raça  conservou  a  sua  morfologia  bem  como  os  critérios  de  utilização,  que  são similares aos dos nossos dias. A sua existência está documentada em Portugal pelo menos desde o século XII. No século XIV era conhecido como “podengo de mostra” evidenciando já a sua apetência para a caça. Era criado nos canis reais e da nobreza e utilizado na caça ao falcão. No século XVI, já designado como perdigueiro (de perdiz), era também utilizado pelo povo. A fixação das actuais características e sua difusão por parte de um grupo de criadores e caçadores tem início no princípio do século XX.

ASPECTO GERAL: Cão bracóide de tamanho médio, rectilíneo, robusto mas com uma  estrutura  harmoniosa  acompanhada  de  uma  grande  leveza  de  movimentos. Vistas de perfil, as linhas superior e inferior formam uma silhueta elegante.

PROPORÇÕES IMPORTANTES: Corpo quadrado ou quase. Relação crânio/chanfro de 6:4; Relação altura ao garrote/altura do peito de 2:1.

COMPORTAMENTO / CARÁCTER: Extremamente meigo e afectivo, rústico e capaz de uma grande resistência e de uma grande devoção. Calmo e bastante sociável, mas um  tanto  petulante  para  os  congéneres.  Curioso  por  natureza,  trabalha  com persistência e vivacidade. Muito inflamado com a caça, colabora sempre estreitamente com o caçador.

CABEÇA: Proporcionada ao corpo, bem construída, com dimensões harmoniosas, dá sempre a impressão de ser maior do que realmente é. Um pouco grossa, não ossuda ou empastada. Revestida de pele flácida e fina, que não apresenta rugas. Vista de perfil é rectilínea e quadrada vista de frente. Os eixos crânio-faciais longitudinais superiores são convergentes.

REGIÃO CRANIANA:

Crânio: visto de face é quadrado, com a linha superior quase plana; ligeiramente abaulado visto  de  perfil. O  comprimento do crânio não deve ultrapassar 6/10 do comprimento total da cabeça com um índice cefálico de 60%. De frente a testa é quase plana, alta, larga e simétrica; ligeiramente abaulada vista de  perfil. As arcadas supraciliares são bem desenvolvidas. O sulco frontal é largo e pouco profundo. A protuberância occipital é pouco aparente.

Stop: Bem marcado (90-100º).

REGIÃO FACIAL: Trufa: Preta, forma um rectângulo perfeito (90%) com o chanfro e o lábio superior. É de boa conformação; as narinas são largas, húmidas e bem abertas.

Chanfro: Rectilíneo e horizontal; suficientemente largo e da mesma largura por todo o comprimento o que representa 4/10 do comprimento total da cabeça.

Lábios: Lábio superior pendente, quadrado visto de perfil. Forma um ângulo direito (90%) com o chanfro; vistos de perfil os lábios formam meia-lua com a extremidade; vistos de frente formam um ângulo estreito com a linha inferior. O lábio superior une- se ao inferior por comissuras flácidas e pregueadas, o que faz com que os cantos sejam um pouco abertos. A boca é moderadamente fendida; as mucosas apresentam uma pigmentação irregular; oclusão normal permitindo a sobreposição dos lábios. Maxilas / dentes: Dentição sã, correcta e completa, com articulação em tesoura.

Faces: Paralelas. A prega atrás da comissura labial é pouco visível; a região parótida é bem cheia.

Olhos: Expressivos, muito vivos, castanhos de tonalidade mais escura que a pelagem; ovais quase  redondos,  grandes  mas  sem  exagero,  horizontais,  enchendo  bem  a órbita. Pálpebras finas e bem abertas, de pigmentação preta.

Orelhas: De inserção acima da linha dos olhos em direcção à parte de trás da cabeça. Caídas, são quase planas com uma ou duas rugas longitudinais quando o animal está em atenção; de forma triangular, bem mais largas na base que na extremidade que é arredondada  (relação  2.5:1).  O  comprimento  das  orelhas  deve  ser  ligeiramente superior ao do crânio. São finas, macias e revestidas de um pêlo fino, denso e muito curto.

PESCOÇO: Direito, ligeiramente arqueado no terço superior; de comprimento não inferior ao comprimento total da cabeça; não muito grosso e guarnecido de curta barbela. Deve ligar-se à cabeça de forma graciosa seguindo uma inclinação aproximadamente de 90º; a transição pescoço/tórax deve ser harmoniosa.

TRONCO: Linha dorsal: Rectilínea, subindo ligeiramente da garupa ao garrote.

Garrote: Não muito alto.

Dorso: Curto, largo, rectilíneo inclinando-se ligeiramente da garupa para o garrote.

Rim: Curto, muito largo, de forte musculatura, ligeiramente arqueado e deve unir-se bem à garupa.

Garupa: De largura proporcional à da região lombar; conformação harmónica com um eixo ligeiramente obliquo inclinando-se um pouco para baixo.

Peito: Alto e largo, com boa amplitude do tórax, mais desenvolvido no sentido da altura e profundidade do que em largura. Deve descer ao cotovelo. Na parte superior as  costelas  são  bem  arredondadas  e muito largas;  em  corte transversal a caixa torácica é em forma de ferradura com as partes laterais unidas pelo esterno.

Linha inferior e ventre: Ligeiramente oblíqua do esterno às virilhas. O ventre plano liga-se às ancas numa curva arredondada; a distância que separa a anca da última costela dá ao flanco um aspecto curto e cheio.

CAUDA: Inteira: De comprimento médio, não deve ultrapassar o jarrete. Direita, de média inserção,  grossa  na  base,  adelgaçando  gradualmente  para  a  extremidade.  Bem ligada, em perfeita continuidade com a linha da garupa. Em repouso cai naturalmente, nunca entre as pernas. Em movimento, eleva-se na horizontal ou um pouco acima da linha dorsal mas nunca na vertical ou em forma de foice.

Amputada:  De maneira a cobrir as partes genitais sem as ultrapassar.

MEMBROS:

MEMBROS ANTERIORES: Aprumados, vistos de frente: perfeitamente paralelos ao eixo mediano do corpo; vistos de perfil, os aprumos dão uma impressão de grande estabilidade, de apoio e de uma facilidade natural de movimento.

Ombros: Compridos, de inclinação média, bem colocados e fortemente musculados. Ângulo escapulo – umeral de 120º.

Braços: Bem colocados junto ao tórax. O seu comprimento está em relação com o do ombro; a sua angulação está em relação com o grau de inclinação do ombro. Cotovelos: Separados do tórax pela axila, os contornos são nítidos; o cotovelo é bem descido, equidistante da linha mediana do corpo, nem virado para dentro nem para fora. Ângulo úmero – radial de 150º.

Antebraços:  Desligados  do  corpo,  compridos,  direitos e perpendiculares  ao chão, vistos de frente e de perfil.

Carpos: Em perfeita continuação do antebraço.

Metacarpos: Largos, ligeiramente oblíquos.

Mãos: Proporcionadas ao comprimento dos membros, mais arredondadas do que compridas, sem se assemelhar ao pé de gato. Dedos bem formados, fechados, uniformes e sólidos para proporcionar um bom apoio. As almofadas são fortes e bem desenvolvidas; a pele é preta, espessa, dura e resistente. As unhas são fortes, duras e de preferência pretas.

MEMBROS POSTERIORES: Aprumados vistos por detrás e de perfil e paralelos ao eixo mediano do corpo.

Coxas: Compridas, largas, bem musculadas. As nádegas apresentam uma curva mais ou  menos  acentuada;  compridas  com  uma musculatura  mais  ou  menos  elástica. Ângulo coxo-femural de 95º.

Joelhos: Um pouco abaixo, mas suficientemente perto do abdómen. Ligeiramente saliente e um pouco desviado para fora. Ângulo fémuro-tibial de 120º.

Pernas: Bem colocadas, de comprimento proporcional ao das coxas, a sua angulação deve estar relacionada com a inclinação da garupa.

Jarretes: Suficientemente abertos e bem colocados, largos e espessos com contornos nítidos. Ângulo tíbio – társico de 145º.

Metatarsos: De comprimento médio ou curto, verticais, aproximadamente cilíndricos, secos e de espessura regular.

Pés: Idênticos às mãos mas ligeiramente mais longos.

ANDAMENTOS: Movimentos normais, fáceis e elegantes. Polivalente no trabalho, adapta-se facilmente  ao  terreno,  às  condições  climáticas  e à caça; o movimento alterna entre o galope compreendendo um tempo de suspensão e um trote amplo e fácil.

PELAGEM: Pêlo curto, duro, bem cerrado e denso, bem distribuído sobre todo o corpo excepto nas axilas, virilhas, região anal e a região genital onde o pêlo é mais raro e macio. É mais fino e mais curto na cabeça e principalmente nas orelhas, que dão aspecto de veludo. Sem sub-pêlo.

COR:  Amarela  nas  tonalidades  clara,  média  e  escura,  unicolor  ou  com  marcas brancas na cabeça, pescoço, peitoral, extremidade inferior dos membros, debaixo dos cotovelos e dos jarretes e na extremidade da cauda quando não é cortada.

ALTURA E PESO:

Altura ao garrote:       Machos: 56cm +/- 4cm

Fêmeas: 52cm +/- 4cm

 

Peso:

Machos: 20-27 Kg

Fêmeas: 16-22 Kg

DEFEITOS:  Qualquer  desvio  em  relação  ao  estalão  deve  ser  considerado  como defeito que será penalizado de acordo com a sua gravidade.

Comportamento: Cão tímido.

Cabeça: Relação crânio/chanfro não correspondendo a 6/4. Estreita. Protuberância occipital saliente. Cavidades sinuosas muito desenvolvidas. Sulco frontal saliente. Presença de rugas.

Trufa: De outra pigmentação que não a preta.

Chanfro: Curto ou comprido.

Lábios: Lábio superior não quadrado. Comissura labial não perceptível. Pigmentação incorrecta das mucosas.

Dentes: Em pinça.

Olhos: Pequenos, claros, sem expressão; muito redondos.

Orelhas: Inserção média, muito grandes ou muito pequenas, extremidade pontiaguda.

Pescoço: Muito curto. Sem barbela ou com muita barbela.

Tronco: Peito com falta de amplitude.

Cauda: Cauda natural muito curta, de inserção muito baixa ou de porte atípico (na vertical ou em foice).

Membros e pés: Nem virados para dentro nem para fora, pés planos.

Pelagem: Pêlo macio.

DEFEITOS GRAVES:

Comportamento: Muito tímido

Cabeça:  Relação  crânio/chanfro  muito  diferente  de  6/4.  Stop  insuficientemente marcado. Eixos crânio-faciais paralelos.

Chanfro: Oblíquo.

Olhos: Oblíquos. Estrabismo.

Orelhas: Carnudas, de inserção baixa, excessivamente dobradas ou em saca-rolhas.

Tronco: Linha dorsal enselada ou encarpada. Garupa demasiado descaída. Corpo demasiado comprido, tórax muito redondo. Ventre arregaçado. Pelagem: Marcas brancas fora dos limites definidos pelo estalão.

Tamanho: Muito grande ou muito pequeno.

DEFEITOS ELIMINATÓRIOS (DESQUALIFICAÇÕES):

Comportamento: Cão agressivo ou medroso.

Cabeça: Atípica com chanfro convexo, muito comprida ou muito curta; crânio demasiado estreito. Eixos longitudinais superiores crânio – faciais divergentes.

Trufa: Totalmente despigmentada.

Maxilas: Prognatismo superior ou inferior.

Olhos: Desiguais na forma e tamanho, de cor diferente. Esbranquiçados, cegueira congénita.

Surdez: Congénita ou adquirida.

Corpo: Totalmente atípico, sinais de cruzamento com outras raças.

Pelagem: Diferente do tipo da raça.

Cor:  Albinismo. Outra cor que não as descritas. Todo  o  cão  que  apresentar  de  maneira  evidente  anomalias  de  ordem  física  ou comportamental será desqualificado.

Nota:  Os machos devem sempre apresentar os dois testículos, de aspecto normal, bem descidos no escroto.